Eu esqueci o Título que eu ia colocar, mas era bom.

Demorei meia hora pra lembrar o assunto também. Será que é a idade? Fica aí o questionamento.

Eu estava aqui vendo os trends topics do Twitter e geral falando sobre a queda do whatsapp, Instagram e Facebook. Provavelmente o Mark foi no banheiro e chutou algum fio no caminho, mas não é importante, não gosto e não uso os produtos dele a uns anos. Tenho WhatsApp por obrigação mas se me chamar lá corre o risco de não ser respondido tão rápido quanto gostaria.

Pra ser sincera eu sinto muita falta da época que trocavámos emails.

Eu sou da época das cartas. Já escrevi muitas cartas na minha vida. Lembra da sessão de cartas das revistinhas da turma da Monica? Eu era a pessoa que mandava cartas pra pessoas aleatórias que deixava o endereço lá.

Acho que é por isso que eu sinto certa nostalgia com emails. São cartas que chegam mais rápido, porém você não precisa responder de imediato. Pode saborear as palavras, pensar para responder.

Eu guardo email de gente que nunca mais vou ver ou falar, mas tá ali.

Ok, eu sinto saudades de papel de carta. Eu tinha coleção e amava eles. Não sei onde foram parar.

Eram tão lindos

Eu sempre abro minha caixa de emails esperando algo pessoal. Nunca é.

Pela volta dos e-mails pessoais.

Leia esse post ouvindo as cartas que eu não mando do Leoni.

Que tal um chopp na Baviera?

Segunda feira, sol estalando, calor lascado e eu aqui nos cafundós do Bonsucesso, Belo Horizonte, pensando nas contas que já venceram e as que ainda vão vencer. Abro o Tinder e me deparo com essa Bio:

Meu pensamento óbvio: Olha a audácia desse filho da puta.

Os caras do Tinder não tem noção do ridículo, mas a culpa é nossa. Nós mulheres que caímos nos mais absurdo dos papos. O cara não tem foto. Quem vai acreditar que ele é alto, bonito e charmoso? Pois então…

Tem mulher que acredita. E cai. Aí tem duas opções: Ou é um 171 que vai tentar tirar qualquer dinheiro que você tenha a mais ou é um fudido igual a gente mesmo e vai se encostar pior que encosto da igreja universal do reino de Deus.

Acreditem moças, não tem chopp na Baviera, não tem café em Paris grátis.

No máximo um suco de pozinho com duas coxinhas na praça sete numa lanchonete de higiene questionável.

Eu queria que existisse príncipe encantado? Queria. Disney Você prometeu!

But a vida é dura.

E cá pra nós, sejamos realistas. Um homem Lindo, rico, charmoso vai estar caçando o quê no Tinder? Então, quando vocês se depararem com esse tipo de perfil nem para, descarta.

Partindo do pressuposto que o Tinder é um cardápio de gente, escolha um prato que você possa pagar.

Tem homem legal no Tinder? Tem.

Tem mulher bacana no Tinder? Tem eu. Tô vendendo meu peixe gente me deixa.

Minha irmã está casada com um cara que ela conheceu no Tinder e ele é muito legal. Eu tenho esperança. As vezes me dá vontade de matar um, quase sempre. Mas sigo.

As vantagens de ser invisível

Eu adoro esse título. Hoje acordei com esse filme na cabeça. Não sei porquê. Talvez seja por eu ter sonhado com um ex(qual deles jamais direi) e acordei sentimental.

Esse é um dos raros casos que vi o filme sem ler o livro. E eu amo esse filme profundamente. Meu lado menininha tem uma ligação forte com os personagens, me identifico demais com a personagem da Emma.

As vantagens de ser invisível foi lançado em 2012, eu já não era uma menininha, já tinha 32 anos, mas não importou muito a minha idade, a primeira vez que vi chorei o filme todo. E mesmo hoje nove anos depois eu choro feito um bezerro desmamado ouvindo a playlist.

A primeira coisa que me chamou atenção nesse filme é como a trilha sonora casa bem com o filme. É uma simbiose perfeita.

É um filme também sobre música e como as músicas estão presentes em momentos cruciais da nossa vida e como elas marcam nossa história.

Eu coloco a playlist no Deezer e nem preciso assistir o filme eu sei exatamente a cena que aquela música pertence.

Quando começa tocar “Come On Eileen” de Dexys Midnight Runners eu sei que é a cena do baile quando Sam e Patrick estão dançando e Charlie chega e começa a dançar.

“Asleep” do The Smiths é uma das primeiras músicas que Charlie escuta na fita cassete que o amigo dele que morreu deixa pra pra ele.

E claro, a música principal do Filme:

A MÚSICA DO TÚNEL.

Sim, eu tô gritando. E quem viu o filme sabe do que tô falando.

A música do Túnel dá o tom do filme. A Procura pela música que ninguém sabe o nome mas que ilustra o momento perfeito.

A música em questão é “Heroes” do David Bowie toca em uma das cenas mais perfeitas do filme e mais conhecida também. Quando Charlie, Sam e Patrick atravessam o túnel e Sam fica no teto solar do carro.

Esse filme tem 34 músicas, são tão bem distribuídas no decorrer do filme que a maioria completam as cenas e se incorporam na história com maestria.

Vou deixar aqui a última carta do Charlie, leia ouvindo Heroes.

Não sei se terei tempo pra mais cartas, pode ser que eu esteje muito ocupado com meus amigos. Se esta for a ultima carta saiba que andei ruim antes de começar o ensino médio, e você me ajudou.
Ainda que não soubesse do que eu falava ou conhecesse alguém que passou por isso fez com que eu não me sentisse só.
Sei que tem gente que diz que essas coisas não acontecem, tem gente que esquece o que é ter 16 anos quando faz 17.
Sei que tudo será história um dia, e que nossas fotos vão se tornar lembranças, e todos nós nos tornaremos mãe e pai.. Mas no momento, esses instantes não são histórias.. Tá acontecendo..Eu tô aqui..E tô olhando pra ela..porque ela é tão linda.. Eu consigo perceber o momento em que você sabe não ser uma história triste, você tá vivo.. Você se levanta e vê as luzes dos prédios e tudo que te faz pensar.. Ouvir aquela música na estrada com as pessoas que você mais ama no mundo..e nesse momento eu juro nós somos INFINITOS.”

Quem é Maurício?

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Estava aqui de bobeira olhando a rua e pensei em escrever no blog. Abri o Google docs pra tentar encontrar algum texto antigo pra reaproveitar e encontrei um com o título: “Para Maurício”.

Meu primeiro pensamento foi: Quem é Maurício?

Abri o texto e é um texto meloso, apaixonado e eu puxando da Memória quem é o Maurício para quem escrevi o texto. Lembrei.

E definitivamente não é ninguém tão merecedor assim de tão bela missiva. Aliás não merecia nem um tweet quanto mais um texto de amor. Porém eu tenho o péssimo defeito de depositar em qualquer Zé sentimentos profundos que logo esqueço.

Teve uma vez que eu estava no ônibus voltando do trabalho e um rapaz parou do meu lado e falou: Lembra de mim?

Olhei e o rosto me era familiar mas não fazia ideia de quem era.

Fui sincera e disse que não me lembrava.

O moço profundamente ofendido, me disse: A gente já namorou.

Pensei: Certamente está me confundindo com alguma moça. Como não vou me lembrar de alguém que namorou comigo?

Ele foi falando: Você tem 3 filhos, duas meninas e estudava na escola tal, fazendo o curso tal.

Pensei: putz sou eu mesmo

Ele: Eu fazia o curso de Mecânica Lá também. Namoramos uns dois meses.

Eu fiquei com tanta vergonha de não lembrar do moço que desci do ônibus antes da hora e fui andando o restante do caminho. Não sei se é um defeito ou qualidade, mas eu não consigo guardar ninguém depois que acaba. A pessoa passa e fica no passado. É como se eu deletasse o arquivo referente a pessoa.

Alguns poucos sobram alguns arquivos corrompidos. Uma lembrancinha suave. Outros, a maioria nem isso.

Rotina


Terminei o banho, odeio tomar banho de madrugada.

Desligo o chuveiro e percebo que esqueci a toalha, o desânimo não me deixa reclamar por isso.
A água pingando e molhando todo o box vai deixando um rastro atrás de mim.

Tenho que secar o banheiro. Porquê? Me pergunto numa briga mental entre a preguiça e a rotina de deixar tudo ajeitado antes de deitar. Num ímpeto rebelde saio deixando o banheiro molhado. O rodo parecia me acusar ali silencioso atrás da porta, não dei importância.

Atravesso a sala molhando tudo e bato a porta do quarto puxando a toalha pendurada no encosto da cadeira.


Pego o vidro de hidratante e começo a me besuntar com aquilo. Pergunto pra mim mesmo porquê faço isso todas as noites religiosamente.
Me sento na cama com a toalha enrolada no cabelo enquanto deslizava as mãos pelas coxas e o cheiro do hidrante enchendo todo o ambiente. Levanto os olhos e me vejo no enorme espelho em frente à cama. Numa avaliação rápida noto que nada é como antes. A pele flácida em alguns lugares, algumas rugas já impossíveis de esconder, e nem quero, são minhas marcas. Minha história.

Minhas mãos percorrem toda extensão de pele nua sem romance.

Termino com o hidratante e a minha triste auto análise, me levanto e percebo que as coisas continuam no mesmo lugar, os moveis, os objetos e as lembranças. Ate mesmo o maço de cigarro vazio da noite anterior.

Sorrio tristemente para o espelho, único cúmplice daquele momento e me encaro, como se não quisesse reconhecer o reflexo, porém reconheço. Sou eu ali lamentável e lamentando a minha existência. Sento, acendo um cigarro, escrevo qualquer merda em alguma rede social, na esperança que em algum lugar do mundo vc leia e sinta minha falta como eu sinto a sua.

A puta de todo mundo.

Eis o que eu sempre fui.

Por um breve período acreditei, várias vezes acreditei que “com esse vai ser diferente”, ele não é igual aos outros.

Você deve tá pensando, nossa como ela é burra, é eu sei disso. É burrice acreditar que eu, velha de guerra tenho chances.

Mas acreditar que tudo ia ser diferente foi o que me trouxe até aqui.

Mergulhei de cabeça e me quebrei tantas vezes que estou aqui aos cacos.

Desisti de juntar, não tem cola mais que resolva. Tantos amores, tanto desperdício de tempo. E o que sobrou foram só as cicatrizes.

Amargura, rancor e inveja de quem tem o que nunca tive.

Quem sou eu além de mais uma puta entre tantas?

Não sirvo pra casar, nem pra apresentar pra mãe, e se apresentar ela vai virar a cara, não sirvo pra nora tambem. Eu sou aquela que serve pra você quando as outras estão ocupadas.

Não, eu não estou magoada, eu entendo. Entendo que elas são mais gentis, mais sutis, educadas e limpas.

Eu sou uma mistura de marcas e manchas. Não dá pra competir.

Eu vou ficar aqui. Quieta, muda, fingindo estar feliz.

As coisas acontecem simplesmente acontecem, não é culpa de ninguém. Talvez minha.

Say my name…

Eu ODEIO MEU NOME. E isso é um problema pra mim. Porquê todo mundo insiste em saber meu nome. Eu acho completamente desnecessário saber como eu me chamo na vida real, mas não, as pessoas da internet ainda insistem em saber como mamãe me batizou, dito isso contarei como eu descobri que meu nome tão odiado não é o meu nome.

Eu já nasci com apelido. Na minha família eu sou a Nega. Ou neguinha como minhas tias e tios me chamam ainda hoje, e meus irmãos e mãe me chama de nega. Em casa ninguém me chama pelo meu nome, nunca.

Na escola o tormento, todo mundo sem exceção errava meu nome, que já é horroroso sem erro. Cresci e veio a internet. Glória a Deus nas alturas eu não tinha que usar meu nome, a vamos de Fake. Passei toda época do Orkut sendo Michelle. Tem gente das antigas que me chama assim até hoje. Era um fake da mocinha de velozes e furiosos.

Então veio o Twitter, 2009 e fiz com meu nome real. Nas primeiras interações o Cid do Não Salvo zuou meu nome. E eu nunca senti tanta vergonha na vida e desisti dele pra sempre.

Durante anos fui Misantropia, eu amo esse nome. Combina demais comigo e tirei de uma música do Matanza. Quando o perfil do twitter caiu e tive que arrumar outra @ A Bajoriana por motivos que amo o planeta Bajor e DS9.

Nos meus jogos me chamam de Nyméria. Meus amigos mais íntimos me chamam de Ny. Todo mundo sabe que é proibido perguntar meu nome então eu sou só Ny. Acho fofo.

Melhor grupo

Mas voltando lá nos meus 30 anos quando eu descobri que meu nome podia sim piorar.

Eu precisei de uma segunda via da minha certidão de nascimento. Eu fui registrada numa cidade chamada São domingos do Norte, fica entre o fim do mundo e onde judas perdeu as botas. Ali na esquina da puta que pariu. Chego eu na cidade e vou até o cartório, um moço bem velhinho me atende e explico que precisava da segunda via da certidão, mostro minha identidade e cinco minutos depois o moço me trás uma certidão nova e… MINHAS PERNAS TREMEM… O moço tinha escrito meu nome errado na certidão nova.

Eu: Moço esse aí não é meu nome. Tá errado.

O moço: Não tá errado não, olha aqui.

O moço abre um livro enorme, empoeirado e lá na página MEU NOME RASURADO. tinha um N com um M riscado por cima.

Eu: Moço quem foi o bêbado que rasurou meu nome? O moço: Me desculpa senhora, mas não tem bêbado aqui fui eu mesmo que registrei a senhora quando nasceu.

Me desculpa moço eu tava nervosa. Respira. Tudo bem senhor, olha minha identidade. Tá diferente da certidão que o senhor me deu, pode por favor fazer uma segunda via com o nome igual? Eu já tenho 30 anos eu já odeio esse nome não quero trocar de nome agora.

O moço rasgou a certidão, foi lá e digitou uma nova com o nome antigo. Mas lá em São domingos do Norte tem um livro onde tenho outro nome. E eu odeio saber disso.

Então é isso. Nunca perguntem meu nome e por acaso se alguém aí souber guarde pra vocês. Eu me chamo Nyméria, Ou Bajoriana. Como quiserem chamar.

Eu gosto que me subestime.

No início da Pandemia eu ainda tinha Instagram. Na real era 31 de dezembro de 2019 eu tava lá de bobeira e alguém me seguiu, segui de volta e logo o rapaz me chamou no direct. Não era lindo, mas também não era feio. Tinha umas 04 ou 05 fotos só. Instagram novo. Dei papo. O papo fluiu maravilhosamente bem.

Parecia que tinha sido feito para mim, tudo que eu gostava ele gostava mesmas músicas, séries, jogos. Deveria ter acendido meu alerta, mas ainda não.

Daí para o sexting foi um pulo. E rolou, uma duas, várias vezes e sumiu… Fiquei bem triste.

Uns dois meses depois reaparece diz que foi assaltado, ficou sem celular e que tinha uma ex maluca tentando roubar o Instagram dele, coisa que tal ex já tinha feito antes e por isso ele tinha um Instagram novo. Ok, plausível. Ainda não desconfiei.

Me envolvi de novo, sexo virtual vai e vem, Fotos dos meus peitos rolando pra lá e pra cá. Nada de foto dele. Nada de áudio, nada de me pedir outro meio de contato além do Instagram. Aí soou meu alerta de algo errado. TODO HOMEM PEDE O ZAP, é mais forte q eles. Se não pede ai tem.

Eu pedi um número de contato e pedi q fizesse um Telegram. Me enrolou dias, mas eu queria ouvir a voz dele. Uns 15 dias eu insistindo me veio com um número de telefone e disse que tinha feito um telegram. Aí fiquei mais tranquila. Porém, zero foto. COMO ASSIM NÃO VAI ME MANDAR FOTO DO PINTO? Tá estranho.

Madrugada eu sem sono e nada pra fazer, resolvi xeretar o Instagram do Mozão novo. Primeira coisa que vi e acendeu um alerta vermelho: 15 amigas em comum com um ex meu que eu não tinha mais contato a anos. Eu tava sem sono né? Peguei meu notebook, uma xícara de café e meu maço de cigarros e comecei o serviço de CSI.

Abri o Facebook do dito ex e o Instagram do novo Mozão: Todas as moças que o moço seguia, sem exceção eram amigas do meu ex no Facebook.

Pensei: Ok ou é parente ou é a mesma pessoa. Voto na mesma pessoa.

Mas não gosto de ter dúvida então vamos continuar a investigação. Abri o Twitter do ex. E foi ótimo. Porquê todas as vezes que o Mozão novo dizia que tava jogando um jogo específico tinha compartilhado no twitter do ex capturas de Tela do mesmo jogo. Uma excelente prova.

Mas eu queria a prova definitiva e continuei fingindo demência com o Mozão no telegram. Eu já tava até me divertindo, mas eu queria a humilhação do infeliz.

Antigamente eu trabalhava num call center, acho que já contei isso no twitter, enfim peguei o número do celular que o Mozão tinha me dado e entrei em contato com uma pessoa das antigas e falei. Quero tudo desse número. Quero prints de todas as informações atrelada a esse número.

24 horas depois tava na minha mão: Nome, endereço, CPF DO MEU EX. Número cadastrado no próprio nome. Foi mais fácil que tirar doce da boca de criança e agora eu estava pronta pra vingança.

Chamei o moço e falei: Eu quero saber quanto tempo você vai ficar aí fingindo que é alguém mais bonito e mais interessante que você é de verdade.

E continuei: Eu até estava me divertindo te usando pra me fazer rir, mas como sempre acontece eu enjoei de você. De novo.

Ele: Eu não sei do que você está falando.

Chamei pelo nome real e falei: Eu sei que você não me esqueceu mesmo depois de dez anos que te dei um pé na bunda e precisou de um fake pra vir Aqui ver meus peitos de novo mas isso só te provou que eu mostro meus peitos e transo com qualquer desconhecido na internet menos com você.

Agora eu quero que você suma. Porquê eu tenho todas as provas documentadas que você não é quem diz ser. E se um dia eu te ver em qualquer rede social minha ou tentando contato com alguém próximo a mim te denuncio por estupro virtual mediante fraude.

(Obrigada MP pelo precedente)

E desde então eu nunca mais vi nada referente a esse ser repugnante.

Mil fitas…

Eu não imaginava que tinha tanta coisa pra escrever. Tava tudo encaixotado em alguma parte da minha mente. E desde o momento que abri a caixa não para de fervilhar histórias que quero contar. Aí paro e penso: – Humm não, essa é muito triste, ou pera essa vai me dar vergonha.

Desnudar a mente e o coração tem lá seu preço, mas tá divertido. Pelo menos eu posso fingir que ninguém tá lendo.

Nesses 41 anos de vida eu já vivi coisas demais. Cada perrengue que olha, não sei como sobrevivi. Eu lembro de pelo menos três situações que eu não morri por pouco. Nas três eu tinha culpa.

Ok, eu tenho problema em culpar os outros. As vezes eu carrego culpa que nem é minha, porém eu sei que eu fui muito irresponsável em muitos momentos da minha vida. Vocês vão saber quando eu contar.

Testemunha de J.k Rowling

Harry Potter me salvou e eu posso provar.

Quando minha filha mais velha nasceu eu estava na merda, já tinha estado na merda antes, nem era novidade. Ela nasceu em 1997. 03/07/1997

Nós últimos dias de gravidez eu estava vendo as notícias do lançamento de um livro que tinha sido lançado uns dias antes. Harry Potter e a Pedra Filosofal. Eu queria muito ler, mas obviamente eu não tinha dinheiro pra comprar. O tempo passou o livro foi um sucesso incrível, minha filha cresceu um pouco e pra desespero geral da nação eu tava grávida de novo. Eu não tinha TV em casa, meu marido vivia de bico nessa época específica. A situação era realmente ruim, mas eu tinha uma menina de um ano e pouco e grávida de novo. Meu ex marido nunca ficava em casa, tava sempre na rua. Era eu e minha filha e a barriga enorme. Vocês não imaginam o quê é não ter um real pra comprar um litro de leite. Já teve vez de colocar farinha de mandioca e água com açúcar numa mamadeira pra Thayná beber, mas voltemos ao assunto. Tinha uma biblioteca perto de casa e eu lia muito. Um belo dia eu cheguei lá e tinha chego(ou chegado? Nunca sei) O livro do Harry Potter. EU IA PODER LER DE GRAÇA.

Levei pra casa. Vocês já tentaram ler com uma criança de um ano e pouco, dois anos por perto? É difícil pq não param quietas, querem atenção, choram. Só que comecei a ler em voz alta. Colocava a neném na cama e ficava lendo pra ela ouvir. E ela dormia ouvindo. Aliviava a fome dela e a minha. Distraia a menina.

Eu perdi as contas de quantas vezes eu li Harry Potter pra ela. Ela cresceu com Harry Potter. Os filmes, os livros, cada novo filme e novo livro era uma parte da vida dela e da minha que estava mudando, se transformando junto com o universo da JK.

Essa ligação com Harry Potter só eu e ela temos, meus outros livros nem gostam, porém pra mim e ela é diferente.

Eu as vezes me acho velha demais pra amar tanto o universo mágico que a J.K criou, mas quem se importa?

Hoje minha filha tem 24 anos e tem uma filha, Luna. Eu queria que minha Neta se chamasse Hermione mas ok, Luna também é uma boa personagem pra homenagear.

Livros salvam vidas, de uma forma ou de outra. Qualquer outra hora eu escrevo sobre minha paixão por livros. Hoje é meu carinho pra JK e seu universo mágico.