Vamos falar de amor.

Hoje o assunto na TL do Twitter (minha fonte inesgotável de assunto) é amor.

O Twitter é o lugar com maior concentração de gente mal amada por metro quadrado que se tem notícias no mundo.

É o lugar onde todos os mal amados se encontram diariamente pra perturbar a vida de qualquer ser humano que OUSE expressar amor por outro ser humano, seja lá de que forma for.

Você não pode amar seu pai.

Você não pode amar seu marido.

Jamais demostrar qualquer tipo de afeto. Sujeito a pauladas.

Porém eu sou um animal romântico. Nasci assim.

Quando eu tô namorando, eu gosto de cuidar de quem está comigo. Na verdade eu gosto de cuidar de todos ao meu redor. Filhos, sobrinhos, amigos.

Mas vamos falar do amor clássico entre duas pessoas que querem passar seu tempo juntas.

(Vou fazer um adendo aqui porquê ontem eu tava militando contra o casamento formal numa conversa no wpp com um amigo. Federal, se ler esse texto, não mudei de ideia)

Eu gosto de expressões de amor: Viu um meme e me mandou eu fico feliz. Se me mandar uma música pois lembrou de mim, eu me apaixono.

Pequenas expressões de amor. Passou no sinal e comprou uma paçoquinha do muleque e me dá pq sabe que eu amo paçoquinha.

Eu nem deveria estar falando de pessoas mal amadas pois eu fui muito mal amada durante a vida, porém por esse motivo eu sei valorizar pequenos gestos de amor hoje em dia.

Sempre vejo por aí imagens de casal cada um com seu celular na cama como se fosse ruim isso.

Eu vejo como silêncio confortável. Aquela pessoa que você sabe que ela tá ali do lado, não precisa falar nada. Ela tá ali pra você.

Obviamente há casos e casos. Pode tá cada um no celular marcando de trepar com o vizinho ou a moça da academia. (Foi específico eu sei) sim eu tô falando pra vocês maridos que ficam me mandando DM indecentes, a esposa de vcs podem estar fazendo o mesmo. Já pararam pra pensar nisso?. Na vdd eu espero que estejam.

Pera, era sobre amor o texto.

Lembrete.

Eu sempre conto aqui coisas que se passaram comigo e com meus filhos ao longo da minha vida.

Cheguei em casa agora e o Ryan como sempre andando de lá para cá me dando atenção quando eu chego, como ele sempre faz. Passei no quarto da Letícia dei um oi, e ela me olhou por cima do notebook e respondeu o oi, visivelmente ocupada com o trabalho dela.

Vim para o meu quarto liguei o notebook para procurar desenhos para minha tatuagem e o Ryan se sentou do meu lado na cama:

Meus olhos se encheram de lágrimas quando vi as cicatrizes. Voltei no tempo. 12 anos atrás.

As cicatrizes menores, milhares delas são da alergia crônica a picadas de insetos que ele sofria quando era criança, mas não é sobre elas é sobre essa grande e tudo que ela significa.

Como vcs sabem eu me separei quando ele era praticamente um bebê, tinha um ano e meio quando o pai dele saiu de casa. E obviamente eu tinha que trabalhar. Quando ele estava ali pelos seis anos eu trabalhava num call center no centro de Belo Horizonte e ele ficava com a minha filha mais velha. Minha filha tinha uns 12/13 anos. Ela fazia almoço, levava na escola e cuidava dos dois menores.

Até que um dia teve um acidente, um terrível acidente.

Thayná esqueceu a panela no fogo e o óleo pegou fogo. Ela ainda menina também, sem saber oq fazer pegou a panela com pano pra jogar no quintal, não aguentou segurar a panela que caiu no chão e derramou todo o óleo no Ryan.

Eu soube disso quando cheguei em casa e meu filho estava queimado. Eu não sabia se socorria um ou o outro. Pois Thayná além da culpa estava com medo de mim.

Levei pra Upa. E cuidamos. Ryan passou uns 20 dias na cama pois as queimaduras nas perninhas não deixava ele andar. Ele largou o futebol pois ficou traumatizado de colocar o pé no chão. Atras do joelho queimou muito e ele passou muito tempo com medo de doer se ele pisasse mesmo quando já tinha sarado.

Ele cresceu extremamente introvertido e sempre me perguntei se as cicatrizes tinha algo a ver com isso. Na adolescência ele cresceu muito, mais que qualquer um da nossa família e com isso as cicatrizes amenizaram mas não sumiram, estão ali pra me lembrar que fui uma mãe negligente mesmo querendo acertar, trabalhar e dar tudo que eles precisavam eu não dei eu.

Eu não penso muito sobre isso. Mas não sei se porquê o dia das mães está chegando eu me peguei pensando nisso olhando a cicatriz.

Quantas mães hoje em dia não pode ver o filho crescer? Enfim… Feliz dia das mães pra nós

Referências.

Hoje no grupo da minha família. ( Família próxima: Eu e meus filhos, minha irmã e os filhos dela) estávamos falando sobre referências paternas que eu e a minha irmã não tivemos.

Conversa vai, conversa vem o assunto caiu em música pois a ÚNICA lembrança que tenho do meu pai biológico é uma música do Raul Seixas. Minha irmã não sei como tem a mesma lembrança. E na época eu tinha 05 anos e ela 03 anos. Mas a música ficou marcada em nós.

Então a minha filha mais velha disse que a lembrança mais forte que ela tem do pai dela antes da nossa separação, como referência de casal é o pai dela tocando a música Bem te vi do Paulinho pedra azul no violão pra mim.

E ainda tem meu filho mais novo que vive em briga eterna com o pai dele mas do nada tá ouvindo moda de viola em casa pois aprendeu a gostar com o pai dele, mesmo q ele não se dê conta da referência a infância dele e todas as noites q o pai dele tocou viola pra ele enquanto ele ainda era um bebê.

Essas coisas fazem falta na vida de todo mundo. Referências paternas. Eu não tenho, minha irmã não tem. E tantas outras pessoas no mundo não tem.

Um ser humano é feito do DNA de duas pessoas. A mãe pode ser guerreira criar o filho sozinha pq o corno abandonou o filho. O filho pode nunca admitir em voz alta porém lá no fundo essa referência faz falta pra pessoa se sentir completa.

Como parte de um todo. Obviamente os homens no geral não ligam a mínima para os problemas q a criança vai ter quando as abandonam. E nós as mães fazemos o quê dá pra suprir a falta de um pai. Algumas fazem merda enchendo a casa de macho (oi mãe!)

Outras afastam qualquer homem q possa ocupar o espaço do ex marido nessa questão (sim, eu mesmo)

Mas o ponto é um só e incontestável: O pai faz falta na criação do filho e na formação da pessoa adulta.

Não é atoa que a expressão “daddy issues” é tão popular por aí.

Sobre armas e crianças.

Estava andando pelo Twitter e vi uma notícia sobre uma menina de seis anos que foi morta com um tiro acidental brincando com uma arma. Não abri a notícia. O título já me lembrou um evento traumático da vida da minha família.

Para preservar os envolvidos não direi nomes porém contarei a história

Uns 23/24 anos atrás um homem tinha uma amante. E teve uma filha com essa amante.

Uma menininha linda cheia de vida, porém essa amante e a filhinha vivam escondidas pois o homem tinha uma esposa e dois filhos.

Ninguém, ou quase ninguém sabiam da existência das duas. O homem para amenizar a solidão da filha que não podia ter contato com avós e primos ele costumava levar um sobrinho pra brincar com a menina.

Num dia comum ele levou o menininho pra brincar com a filha na casa da amante. Ele policial deixou as crianças no quarto brincando e pensando na segurança delas colocou a arma em cima do guarda roupas.

O quê ele nunca imaginou é que o menino viu ele colocando algo em cima do guarda roupas e quando ele saiu do quarto a criança curiosa abriu as gavetas e fez de escadinha para alcançar o alto. Colocou a mãozinha e encontrou algo pesado. Não aguentando o peso do objeto jogou sobre a cama para descer e ver o quê era. Era uma arma que disparou na cabeça da priminha em cima da cama.

E foi então que a família soube da existência dela. Quando ela morreu.

Eu fui ao enterro grávida da minha filha mais velha.

O homem se separou da esposa e casou com a amante e hoje eles tem uma outra filha.

O menino já é um homem adulto e até onde sei fez tratamento por anos pra superar o acontecido, não sei se superou, o assunto é proibido.

Quando eu vejo o povo contra ou a favor do desarmamento, eu fico quieta porém sempre me lembro disso. Se você quer ter uma arma, tenha, mas não reclame se alguém que você ama morrer. Faça a sua escolha.

Unboxing…

Hoje é um dia para comemoração!

Esse post é tão somente para agradecer uma pessoa maravilhosa que entrou no meu caminho e me mostrou que pessoas legais existem.

Todo mundo sabe que eu não tenho lá muita fé na humanidade, logo não espero nada de ninguém, porquê nunca vem nada bom de lado nenhum. Porém hoje eu fui positivamente surpreendida por uma pessoa que nunca imaginei.

Explico:

Alguns dias atrás eu postei no twitter que precisava muito de um novo notebook por motivos de o meu estar quebrado e colado com fita de fechar caixa, perigando a tela cair.

Olhei vários em todos os cantos da internet, novos e usados. Fiz todas as contas e me dei conta que era impossível comprar um. Aposentei a ideia. Vida que segue.

Hoje um amigo meu, seguidor do twitter perguntou como estava a minha procura pelo notebook, contei que tinha desistido de comprar pois os que eu queria não tinha dinheiro pra pagar.

Eis que ele me surpreende pedindo meu pix pra enviar, o que eu pensei que fosse parte do dinheiro pra me ajudar.

Mas não! Ele me deu todo o dinheiro do notebook. Exatamente o valor do notebook que eu tinha escolhido.

Eu não tenho palavras pra agradecer essa pessoa linda que me ajudou sem a menor intenção além de me fazer feliz.

Não vou expor ele aqui o nome do Bom Samaritano por motivos óbvios. Porém precisava contar pra vocês que existem sim pessoas boas no mundo que as vezes elas cruzam nosso caminho.

Hoje chorei muito mas foi de felicidade.

Muito obrigado neném!

Um dia a gente vai estar rindo disso tudo em Paris

Lá pelos idos de 2010 eu trabalhava numa empresa de call center. E por pior que o emprego fosse eu amava trabalhar lá porquê foi meu primeiro emprego de carteira assinada numa grande empresa, foi lá que eu aprendi que ter um cargo com nome chiquérrimo não te garante dinheiro no fim do mês.

Lá eu aprendi também que por mais que você se esforce e saiba trabalhar bem, você vai perder a vaga pra uma mocinha bonitinha que não sabe porra nenhuma.

Mas o assunto não é esse. O assunto é a minha ex chefe e melhor amiga que fiz lá.

Pensa numa gaúcha bonita, loira, alta magra tatuada. Eu amava aquela mulher. Ela era meu exemplo de sucesso na vida e ela é uns anos mais nova que eu. Pois bem. Fazíamos tudo juntas. Eu sempre fui péssima com prazos. Se eu tinha que entregar uma planilha na sexta às 18:00 eu estaria na sexta às dez da noite finalizando a planilha. Fefa se estressava comigo mas ficava ali me ajudando até o fim. Com ela aprendi a mexer no Excel e minhas planilhas eram lindíssimas.

Foram dois anos com ela sendo minha chefe. Ela chegava e vamos almoçar no shopping hoje. Fazíamos 3 horas de almoço e tava tudo bem. Happy hour depois do trabalho na puta que pariu? Vamo.

Filme final de semana no apartamento dela com colega da filial de sabe deus onde? Vamo.

Ela fumava igual a mim então sempre que uma ia a outra ia. Nos dias ruins que o dinheiro acabava dividíamos os cigarros do maço igualmente pra nenhuma das duas ficar sem.

As vezes que eu quis desistir do trabalho ela sempre me dizia: Não fica assim, um dia vamos estar rindo disso tudo em Paris você vai ver. Fazia eu parar de chorar e voltar ao trabalho.

Ela foi promovida e foi embora de BH. Me candidatei pra vaga dela pois ela tinha me ensinado tudo que ela sabia.

Perdi a vaga pra mocinha citada lá em cima e pedi demissão. (E foi assim que vim parar no jogo do bicho)

Claro que perdi contato com ela por um tempo até que um dia minha vida tava muito ruim e abri o Facebook e vi uma foto dela em Paris! Ela foi pra Paris sem mim.

Doeu. Mas ela estava feliz.

Abandonei o Facebook, abracei o Twitter. Vida seguiu nunca mais ouvi falar da Fefa até meia hora atrás quando abri meu antigo Facebook e ela me mandou uma mensagem no Messenger com o número do wpp dela.

E só agora me dei conta da saudade que eu sinto dela e da amizade que tínhamos.

Os fantasmas se divertem

Pois então, a bolha que eu vivo no twitter é meio cética em relação ao sobrenatural. Porém eu acredito que tudo é possível.

Lembro de uma entrevista do Jô soares que ele diz pro entrevistado que ele acredita em tudo

Que se a caneca da mesa dele falasse: Bom dia Jô, ele responderia: Bom dia Caneca.

Eu sigo essa linha.

No creo en brujas, pero que las hay, las hay”

Dito isso me lembrei de uma passagem curiosa da minha vida.

Contei pra vocês que eu trabalhei num canil não é, pois é. Esse canil ficava numa casa enorme, linda, com quintal grande e piscina.

Um dia estava lá eu limpando tudo e tinha um homem parado no jardim, pensei eu que era cliente esperando pra comprar algum filhote.

Sai de onde eu estava e fui até ele e chegando lá ele tinha sumido. Procurei por alguns minutos e simplesmente o moço tinha evaporado.

Passou muitos e muitos dias sei lá quanto tempo eu estava conversando com a minha patroa sobre a vida, filho e coisa e tal e ela buscou os álbuns de fotografia dos filhos pequenos pra eu ver.

Aí numa das fotos eu vi um moço com um bebê e reconheci o cara que tava no jardim e falei esse moço não mudou muito, esteve aqui esses dias, é seu irmão?

Ela me olhou meio esquisita e falou: Não! Esse é o meu marido que morreu a dez anos atrás.

Gatilhos

Depois que virou modinha falar em gatilhos eu tomei ódio dessa palavra. Porquê tudo é gatilho. Virou uma palhaçada.

Porém gatilhos existem. De modo geral, gatilhos mentais são um “despertador de emoções”. Uma palavra, uma música, enfim.

E as vezes dói. E talvez ninguém te entenda. E ok, você sabe porquê tá doendo.

Porquê estou falando sobre gatilhos? Porquê hoje eu tive uma crise de choro que durou quase uma hora por uma frase que a minha mãe me falou. Meu filho me mandou mensagem ontem falando que queria suco de manga verde, mas tinha que ser o que a minha mãe faz (Se nunca tomaram, tomem. Suco de manga verde é muito bom)

Aí eu mandei mensagem pra ela falando disso. Hoje de manhã quando acordei tinha mensagem dela e em um dos áudios dela ela diz:

Minha filha terminou seu curso? Se não terminou termina, porquê Barra de são Francisco tá crescendo muito, abriu vários concursos, termina e Volta pra casa.

Meu mundo caiu. Choro enquanto escrevo.

Ela me mandou embora de casa eu tinha 16 anos. Sai com uma mochila num dia qualquer de 1996.

Como ela ousa assim do nada numa conversa banal 26 anos depois me chamar pra voltar pra casa?

Que casa?? Minha casa é aqui. Meus filhos nasceram aqui. As raízes que ela arrancou e jogou fora se fincaram aqui.

Como diz aquela frase lar é onde seu coração está. E meu coração está em Belo Horizonte.

Eu não quero voltar. Adoro Barra de são Francisco, amo meu estado Espírito Santo.

Melhor moqueca do mundo (Sim Sargento Tainha estou olhando pra você) mas não quero voltar. Na verdade nem quero mais terminar meu curso. Brochei.

Elas são fáceis porquê são pobres

Eu ouvi, eu li, eu ouvi de novo.

O Arthur simplificou todo o pensamento de homens com dinheiro brasileiro.

E não é homem rico. Pode ter 100 reais na carteira que o cara vai se achar no direito de olhar uma mulher vulnerável como um pedaço de carne no açougue.

Ahhh mas eu não sou assim. Tá bom filho, você. O texto não é sobre você não enche meu saco.

Vou contar uma história sobre isso. E onde essa frase bateu em mim.

Eu nunca contei isso pra ninguém, absolutamente ninguém, nunca. Essa eu guardei pra mim. Junto com outras histórias bonitas da minha vida.

Eu tinha acabado de me separar, tinha três filhos pequenos e tava completamente desamparada em belo horizonte. Eu estava desempregada e fui trabalhar limpando um canil, lavando cocô de cachorro de raça pras madames comprar filhotes fofinhos. E não era ruim, eu gostava dos cachorros. Aí um cara dono de uma academia no bairro perguntou quanto eu cobrava pra limpar a academia dele duas vezes na semana. Eu já tava limpando o canil não me custava limpar a academia. E pá vou eu de faxineira. Uma semana, duas.

E fui receber, conversa vai, conversa vem eu disse que meus filhos não tinha leite em casa. Era uma época fodida. Eu não tinha nada. E quando digo nada é nada mesmo. Mas enfim o cara disse que ia me levar em casa, no meio do caminho me assediou, disse que podia me ajudar com meus filhos, que era difícil ser sozinha e blablabla e me “obrigou” coloco entre aspas porquê eu poderia ter feito muita coisa e não fiz nada. Aceitei fazer coisas naquele carro pra um homem nojento e ganhei DEZ REAIS pra levar leite pra casa.

Dez reais foi o meu preço pra levar leite pra trás crianças que esperavam por mim com fome. Nunca mais voltei lá. Não contei da ninguém até hoje. Vergonha por valer dez reais.

Então é isso. É assim que funciona a vida. Arthur falou o que a grande maioria pensa, sem surpresas aqui.

Esqueletos no Armário

Chame de misantropia ou como quiser

Mas você não me engana

Não perde quem desconfia

Culpa da nossa tão odiosa natureza humana

Matanza.

Antes de mais nada eu quero deixar claro que esse texto não é novo. Eu o escrevi em 2015/2016 não me lembro bem. Eu tento não me lembrar muito desse assunto mas volta e meia me vem uns gatilhos e quero desabafar.

Eu nunca quis ter que falar sobre isso.

Eu nunca quis ter que escrever sobre isso.

Tentei por anos focar em outras coisas do que ter que encarar os esqueletos no meu armário. Mas tem uma hora que a faxina tem que ser feita então vamos lá.

Eu tinha cinco anos quando o dono da fazenda que meu pai trabalhava me ofereceu bala pra entrar na casa dele, ano de 1985. Entrei e ele me levou pro quarto e tirou meu short e fez coisas comigo que eu não sabia o que era. Mas doeu. Nunca contei pra ninguém.

Espero que ele esteja no inferno se vocês acreditam no inferno.

Eu tinha nove anos quando um primo, que este eu sei que está vivo e eu desejo muito a morte lenta e dolorosa desse ser, começou a abusar de mim.

Enfiava os dedos em mim por debaixo da saia sempre q ficava a  sós comigo. Até que se mudou isso durou uns seis meses. ( Anos depois eu soube que quando a família descobriu que eu estava grávida aos 16 ele comentou que eu sempre fui puta)

Aos 12 anos minha mãe se casou pela segunda vez e meu padastro nunca tocou em mim, mas me assediava 24 horas por dia. Quando minha mãe não estava andava nú pela casa pra eu ver e me oferecia presentes pra eu deixar ele tocar meus seios que estava já desenvolvidos, eu dizia não e saia correndo, passava o dia todo nas casas das vizinhas pra não ter que entrar em casa quando minha mãe não estava.

Nunca contei e minha mãe achava que eu não gostava dele por implicância de adolescente. Quando eu pedi pra ela não casar com ele ela disse:” Eu mando aqui e me caso com quem eu quiser. ” tava certa, vou fazer o quê?

Nisso eu cresci e homens pra mim era sinônimo de sexo. Eu sabia o que eles queriam do de olhar pra mim. Nunca acreditei num homem que me dizia coisas legais, pra mim sempre significou ” quero te foder”.

Nunca five autoestima, cresci brutalizada, desbocada, hostil.

O mundo me via como uma rebelde sem causa.

Até que eu perdi a virgindade (porra sério!) Eu não tinha mais nada pra perder caralho! Desde os cincos anos mas ATÉ QUE EU TRANSEI POR MINHA LIVRE E ESPONTÂNEA VONTADE!!! mamãe me mandou embora de casa porque eu era uma puta.

Conheci um cara legal, sério. Eu me apaixonei e vi que os homens não era todos ruins. Ele me assumiu como esposa, a ele eu agradeço pela família que eu construí. Longe daquela cidade maldita. Bem longe. Tive filhos com ele e enfim o casamento acabou. Meus traumas eu carrego comigo.

A depressão que muitos me dizem ser sem motivos, a baixa autoestima, e o medo de me casar de novo. Protegi e protejo minhas filhas. Sou separada a dezesseis anos e nunca tive coragem de levar outro homem pra morar comigo. E se fizessem com elas o que já fizeram comigo quando eu não podia me defender ?

Hoje elas já são adultas, sabem se defender. Então fico tranqüila.

Cheguei aos trancos e barrancos aos 42 anos.

Então tudo estaria perfeito se eu não começasse a ver na internet um bando de mulher falando de estupro como quem fala de fazer as unhas.

” o pedreiro me cantou” fui estuprada”

Bebi todas e transei com meu ex me arrependi ” fui estuprada ”

Agora a gota d’agua uma desocupada aceita tomar banho com um cara bêbado e logo em seguida posta foto, sim vocês leram certo, posta uma foto chorando dizendo que foi estuprada por um cara que ela, que não estava bêbada aceitou tomar banho com ele. (Nota: Esse caso bombou na internet em 2015)

Vocês tem noção do que estão fazendo?

Vocês estão acabando com a credibilidade de pessoas que realmente tem um passado de dor. Vocês estão fazendo virar assunto de roda de piada um trauma que é pior que a morte para muitas.

Eu tenho vergonha de ler certas coisas na internet e pensar ” Essas mulheres não tem noção do que estão dizendo. Não tem como defender.

Pior do que essas ativistas mau caráter fazer tal coisa é ter quem bata palmas. É por isso que eu odeio mais esquerdo-macho que odeio barata, porquê esse bando de homem sem fibra moral bate palma pra essas malucas e todo mundo acha lindo.

Estrupo é o que está acontecendo com as alemãs. Cadê textão das grandes páginas falando sobre o aumento gritante do número de estupro na europa?(Outra treta de 2015, o aumento de estupros praticados por imigrantes, longa história)

Porque vocês não estão criando tags?

Não é a única coisa que sabem fazer?

Vocês me dão nojo. Isso tudo só prova algo que eu sempre digo: Mulher é tão mau caráter quanto homem quando quer.

Indignação seletiva é o que faz todo movimento feminista atual virar piada, chacota. Vocês não tem peito pra encarar problemas reais. Brigam entre si pra ver quem tem mais likes, mais visibilidade enquanto isso as mulheres reais, as que precisam de ajuda se fodem todos os dias na mão de todo mundo inclusive de mulheres como vocês.

Vocês não são donas da verdade, não são salvadoras de ninguém, só do próprio umbigo.

Eu prefiro mil vezes um homem falando a verdade do que todas as blogueiras feministas atuantes no Brasil.

E tenho dito.

Estamos em 2022 e fui ler o texto e não mudei uma vírgula fora as notas. Minha indignação ainda é a mesma.

PS: Texto sem revisão, qualquer erro de português encontrado me perdoem.