A maldição da Família Rodrigues

Parece título de livro de terror mas é só a minha família mesmo.

A minha família materna é majoritáriamente feminina. Minha avó Dorvalina se casou aos 15 anos com um viúvo e teve 12 filhos. Quatro morreram. Dos oito vivos seis eram mulheres: Nem, Tina, Dilza,Zilda, Raimunda, Rosa. E meus dois Tios: Zé preto e Nego.

Tia nem mora no Amazonas e teve seis filhos Homens. Não tenho contato com eles fora um deles que me achou no whatsapp outro dia.

Tia Tina tem dois filhos homens e um marido que a explora até a última gota. Essa minha tia não sabe ler nem escrever mas é a única que trabalha pra sustentar o marido e os filhos que embora já sejam adultos não sabem lavar o prato que comem. Machistas ao extremo.

Tia Dilza tem seis filhos. Quatro moças e dois rapazes. A mais nova ela deu pra adoção e prefere que não falemos nisso.

Zilda é a mãe dessa que vós fala. Teve três filhos. Duas moças e um rapaz. O rapaz tava preso até um dia desses, eu vocês já sabem. Minha irmã acho que é normal.

Tia Raimunda. Essa teve uma vida complicada. Teve três filhos e uma morte trágica. Tia Raimunda morreu assassinada no Interior do Rio e seu corpo queimado num carro. Antes disso o filho dela Meu primo Ivanilton já tinha sido assassinado. Ivanete morreu mês passado com um câncer e sobrou a última que é completamente louca e prefiro não saber o destino.

Ivanete antes de morrer era Pastora Evangélica, mas antes disso era Prostituta.

Rosa, tia Rosa não tinha defeitos. Teve três filhos. Acho que estão todos vivos, a mais velha eu vi recentemente. É estranho ter uma prima que já é bisavó.

Meu tio Zé preto era também meu padrinho de batismo. Nunca se casou. Morreu sozinho mas tinha muitas namoradas, depois que morreu apareceu dois filhos bastardos reinvindicando a parte do meu tio na venda da casa da minha avó.

Meu Tio nego. Esse merecia um texto só pra ele. É um véi que já sofreu muito nessa vida.

Meu tio teve sete filhos. Cinco mulheres e dois rapazes.

Das cinco mulheres, três tem passagem pelo presídio

Duas já teve filho assassinado pelo tráfico.

Dos filhos homens o mais novo morreu aos 14 anos com um tiro. Segundo contam foi brincando de roleta Russa.

O mais velho eu nunca vi. Meu único primo que eu não conheço pessoalmente. Até onde sei é um dos poucos honesto e trabalhador porém o filho dele morreu a 15 dias atrás assassinado também.

Reza a lenda que meu avô, o Patriarca dessa Família era da magia negra. Eu não o conheci pois ele morreu três dias depois do meu aniversário de um ano. Meu avô se chamava Pedro. E antes de morrer ele pediu pra nenhuma filha dele colocar o nome dele num filho.

Bem ele não tem um neto com nome dele mas tem um bisneto.

Meu avô era um homem muito ruim, mau e cruel com a família. As histórias que contam dele são horríveis.

Uma das histórias é q um dos filhos da minha vó que morreu foi ele que matou. Dizem que o bebê tava chorando muito e ele jogou o bebê pela escada do quarto para a cozinha e não deixou minha avó ir lá acudir, de manhã o bebê estava morto. Se é verdade nunca saberei. O que eu acredito é que esse velho amaldiçoou toda a família pra sempre.

A morte surda caminha ao meu lado e eu não sei em quê esquina ela vai me beijar.

Desde que eu me entendo por gente eu penso na minha morte. Não, eu não penso em suicídio, não nós últimos anos pelo menos. Digamos que continuar viva é um ato de resistência.

Mas eu penso na minha morte diariamente. Eu tenho muito medo de ficar doente muito tempo , com as pessoas que me amam cansadas e rezando silenciosamente pra eu descansar e dar descanso pra eles.

Eu não quero essa humilhação final. Eu quero ir pá pum! Fui.

Eu espero que os deuses, qualquer um deles, sejam bons comigo. Eu não tenho uma religião fixa. Sou religião fluida. Existem milhões de deuses e eu não quero desagradar nenhum deles. Vai quê. Então eu canto ponto pra Pomba-gira, acendo velas pra Bastet e para o grande espaguete voador.

Não sei pra onde eu vou quando morrer queria ir pra Valhala, pra mim é o céu mais divertido, mas morrer em batalha tá cada dia mais difícil. Será que jogando god of War conta? Muitas questões.

Mas eu sendo eu certeza que vou acabar no Umbral. Sem lugar pra ir. Vi no Twitter outro dia uma moça falando que quer ser enterrada de tênis pra correr dos espíritos no Umbral, achei uma boa ideia. Vou aderir.

Eu acredito em espírito, alma penada e essas coisas. Acredito mesmo.

Porquê acreditar que morreu acabou não tem graça. Qual o sentido? Você vive uma vida certa, é bom e morre. Fim.

Você é um grande filho da puta a vida toda, comete toda sorte de crimes e morreu e acabou tbm. Tem que ter mais alguma coisa depois daqui. O quê vai ter só vamos saber do lado de lá.

Eu lembro de um episódio de Star Trek que (não lembro qual nave) o pessoal chega em um planeta que os nativos do planeta se preparava pra morrer esperando o reencontro num plano superior mas a verdade é que as cápsulas ficavam girando em torno do planeta e na verdade não existia o outro lado.

Pensa na frustração.

Eu, na minha morte(que eu espero que não seja logo, mas que também não demore muito) quero choro, quero barraco, gente se jogando e falando: ME LEVA COM VC!

Esse negócio de “ela não queria a gente triste” é mentira, eu quero gente triste sim.

E quero enterro do interior, quero meus tios tomando cachaça e falando mal da família que não veio, quero mortadela e pão de sal. E litros de café pra todo mundo ficar velando meu corpo de madrugada enquanto contam piadas e se lembrem como eu era boa pessoa(mentira eu nem sou, mas já que morri, vão falar isso)

No meu caixão quero a bandeira do flamengo. Eu sou pobre quero cafonice, mas por favor não ousem me colocar de vestido porquê eu volto e puxo o pé de vocês.

Quero meu all star, calça jeans e uma camiseta de banda. Pode ser qualquer uma da minha gaveta. Só não me vistam como se eu fosse uma boneca. Eu tô morta mas ainda tenho dignidade.

Depois que eu vi o filme “Viva a vida é uma festa” Eu avisei lá em casa que estão proibidos de sumir com as minhas fotos. Eu não quero ser esquecida. Inclusive recomendo esse filme demais. É com certeza uma das minhas animações favoritas.

E pra finalizar coloquem na minha Lápide

“Lasciate ogni speranza, voi ch’entrate”

Eu esqueci o Título que eu ia colocar, mas era bom.

Demorei meia hora pra lembrar o assunto também. Será que é a idade? Fica aí o questionamento.

Eu estava aqui vendo os trends topics do Twitter e geral falando sobre a queda do whatsapp, Instagram e Facebook. Provavelmente o Mark foi no banheiro e chutou algum fio no caminho, mas não é importante, não gosto e não uso os produtos dele a uns anos. Tenho WhatsApp por obrigação mas se me chamar lá corre o risco de não ser respondido tão rápido quanto gostaria.

Pra ser sincera eu sinto muita falta da época que trocavámos emails.

Eu sou da época das cartas. Já escrevi muitas cartas na minha vida. Lembra da sessão de cartas das revistinhas da turma da Monica? Eu era a pessoa que mandava cartas pra pessoas aleatórias que deixava o endereço lá.

Acho que é por isso que eu sinto certa nostalgia com emails. São cartas que chegam mais rápido, porém você não precisa responder de imediato. Pode saborear as palavras, pensar para responder.

Eu guardo email de gente que nunca mais vou ver ou falar, mas tá ali.

Ok, eu sinto saudades de papel de carta. Eu tinha coleção e amava eles. Não sei onde foram parar.

Eram tão lindos

Eu sempre abro minha caixa de emails esperando algo pessoal. Nunca é.

Pela volta dos e-mails pessoais.

Leia esse post ouvindo as cartas que eu não mando do Leoni.

Que tal um chopp na Baviera?

Segunda feira, sol estalando, calor lascado e eu aqui nos cafundós do Bonsucesso, Belo Horizonte, pensando nas contas que já venceram e as que ainda vão vencer. Abro o Tinder e me deparo com essa Bio:

Meu pensamento óbvio: Olha a audácia desse filho da puta.

Os caras do Tinder não tem noção do ridículo, mas a culpa é nossa. Nós mulheres que caímos nos mais absurdo dos papos. O cara não tem foto. Quem vai acreditar que ele é alto, bonito e charmoso? Pois então…

Tem mulher que acredita. E cai. Aí tem duas opções: Ou é um 171 que vai tentar tirar qualquer dinheiro que você tenha a mais ou é um fudido igual a gente mesmo e vai se encostar pior que encosto da igreja universal do reino de Deus.

Acreditem moças, não tem chopp na Baviera, não tem café em Paris grátis.

No máximo um suco de pozinho com duas coxinhas na praça sete numa lanchonete de higiene questionável.

Eu queria que existisse príncipe encantado? Queria. Disney Você prometeu!

But a vida é dura.

E cá pra nós, sejamos realistas. Um homem Lindo, rico, charmoso vai estar caçando o quê no Tinder? Então, quando vocês se depararem com esse tipo de perfil nem para, descarta.

Partindo do pressuposto que o Tinder é um cardápio de gente, escolha um prato que você possa pagar.

Tem homem legal no Tinder? Tem.

Tem mulher bacana no Tinder? Tem eu. Tô vendendo meu peixe gente me deixa.

Minha irmã está casada com um cara que ela conheceu no Tinder e ele é muito legal. Eu tenho esperança. As vezes me dá vontade de matar um, quase sempre. Mas sigo.

As vantagens de ser invisível

Eu adoro esse título. Hoje acordei com esse filme na cabeça. Não sei porquê. Talvez seja por eu ter sonhado com um ex(qual deles jamais direi) e acordei sentimental.

Esse é um dos raros casos que vi o filme sem ler o livro. E eu amo esse filme profundamente. Meu lado menininha tem uma ligação forte com os personagens, me identifico demais com a personagem da Emma.

As vantagens de ser invisível foi lançado em 2012, eu já não era uma menininha, já tinha 32 anos, mas não importou muito a minha idade, a primeira vez que vi chorei o filme todo. E mesmo hoje nove anos depois eu choro feito um bezerro desmamado ouvindo a playlist.

A primeira coisa que me chamou atenção nesse filme é como a trilha sonora casa bem com o filme. É uma simbiose perfeita.

É um filme também sobre música e como as músicas estão presentes em momentos cruciais da nossa vida e como elas marcam nossa história.

Eu coloco a playlist no Deezer e nem preciso assistir o filme eu sei exatamente a cena que aquela música pertence.

Quando começa tocar “Come On Eileen” de Dexys Midnight Runners eu sei que é a cena do baile quando Sam e Patrick estão dançando e Charlie chega e começa a dançar.

“Asleep” do The Smiths é uma das primeiras músicas que Charlie escuta na fita cassete que o amigo dele que morreu deixa pra pra ele.

E claro, a música principal do Filme:

A MÚSICA DO TÚNEL.

Sim, eu tô gritando. E quem viu o filme sabe do que tô falando.

A música do Túnel dá o tom do filme. A Procura pela música que ninguém sabe o nome mas que ilustra o momento perfeito.

A música em questão é “Heroes” do David Bowie toca em uma das cenas mais perfeitas do filme e mais conhecida também. Quando Charlie, Sam e Patrick atravessam o túnel e Sam fica no teto solar do carro.

Esse filme tem 34 músicas, são tão bem distribuídas no decorrer do filme que a maioria completam as cenas e se incorporam na história com maestria.

Vou deixar aqui a última carta do Charlie, leia ouvindo Heroes.

Não sei se terei tempo pra mais cartas, pode ser que eu esteje muito ocupado com meus amigos. Se esta for a ultima carta saiba que andei ruim antes de começar o ensino médio, e você me ajudou.
Ainda que não soubesse do que eu falava ou conhecesse alguém que passou por isso fez com que eu não me sentisse só.
Sei que tem gente que diz que essas coisas não acontecem, tem gente que esquece o que é ter 16 anos quando faz 17.
Sei que tudo será história um dia, e que nossas fotos vão se tornar lembranças, e todos nós nos tornaremos mãe e pai.. Mas no momento, esses instantes não são histórias.. Tá acontecendo..Eu tô aqui..E tô olhando pra ela..porque ela é tão linda.. Eu consigo perceber o momento em que você sabe não ser uma história triste, você tá vivo.. Você se levanta e vê as luzes dos prédios e tudo que te faz pensar.. Ouvir aquela música na estrada com as pessoas que você mais ama no mundo..e nesse momento eu juro nós somos INFINITOS.”

Quem é Maurício?

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Estava aqui de bobeira olhando a rua e pensei em escrever no blog. Abri o Google docs pra tentar encontrar algum texto antigo pra reaproveitar e encontrei um com o título: “Para Maurício”.

Meu primeiro pensamento foi: Quem é Maurício?

Abri o texto e é um texto meloso, apaixonado e eu puxando da Memória quem é o Maurício para quem escrevi o texto. Lembrei.

E definitivamente não é ninguém tão merecedor assim de tão bela missiva. Aliás não merecia nem um tweet quanto mais um texto de amor. Porém eu tenho o péssimo defeito de depositar em qualquer Zé sentimentos profundos que logo esqueço.

Teve uma vez que eu estava no ônibus voltando do trabalho e um rapaz parou do meu lado e falou: Lembra de mim?

Olhei e o rosto me era familiar mas não fazia ideia de quem era.

Fui sincera e disse que não me lembrava.

O moço profundamente ofendido, me disse: A gente já namorou.

Pensei: Certamente está me confundindo com alguma moça. Como não vou me lembrar de alguém que namorou comigo?

Ele foi falando: Você tem 3 filhos, duas meninas e estudava na escola tal, fazendo o curso tal.

Pensei: putz sou eu mesmo

Ele: Eu fazia o curso de Mecânica Lá também. Namoramos uns dois meses.

Eu fiquei com tanta vergonha de não lembrar do moço que desci do ônibus antes da hora e fui andando o restante do caminho. Não sei se é um defeito ou qualidade, mas eu não consigo guardar ninguém depois que acaba. A pessoa passa e fica no passado. É como se eu deletasse o arquivo referente a pessoa.

Alguns poucos sobram alguns arquivos corrompidos. Uma lembrancinha suave. Outros, a maioria nem isso.

Rotina


Terminei o banho, odeio tomar banho de madrugada.

Desligo o chuveiro e percebo que esqueci a toalha, o desânimo não me deixa reclamar por isso.
A água pingando e molhando todo o box vai deixando um rastro atrás de mim.

Tenho que secar o banheiro. Porquê? Me pergunto numa briga mental entre a preguiça e a rotina de deixar tudo ajeitado antes de deitar. Num ímpeto rebelde saio deixando o banheiro molhado. O rodo parecia me acusar ali silencioso atrás da porta, não dei importância.

Atravesso a sala molhando tudo e bato a porta do quarto puxando a toalha pendurada no encosto da cadeira.


Pego o vidro de hidratante e começo a me besuntar com aquilo. Pergunto pra mim mesmo porquê faço isso todas as noites religiosamente.
Me sento na cama com a toalha enrolada no cabelo enquanto deslizava as mãos pelas coxas e o cheiro do hidrante enchendo todo o ambiente. Levanto os olhos e me vejo no enorme espelho em frente à cama. Numa avaliação rápida noto que nada é como antes. A pele flácida em alguns lugares, algumas rugas já impossíveis de esconder, e nem quero, são minhas marcas. Minha história.

Minhas mãos percorrem toda extensão de pele nua sem romance.

Termino com o hidratante e a minha triste auto análise, me levanto e percebo que as coisas continuam no mesmo lugar, os moveis, os objetos e as lembranças. Ate mesmo o maço de cigarro vazio da noite anterior.

Sorrio tristemente para o espelho, único cúmplice daquele momento e me encaro, como se não quisesse reconhecer o reflexo, porém reconheço. Sou eu ali lamentável e lamentando a minha existência. Sento, acendo um cigarro, escrevo qualquer merda em alguma rede social, na esperança que em algum lugar do mundo vc leia e sinta minha falta como eu sinto a sua.

A puta de todo mundo.

Eis o que eu sempre fui.

Por um breve período acreditei, várias vezes acreditei que “com esse vai ser diferente”, ele não é igual aos outros.

Você deve tá pensando, nossa como ela é burra, é eu sei disso. É burrice acreditar que eu, velha de guerra tenho chances.

Mas acreditar que tudo ia ser diferente foi o que me trouxe até aqui.

Mergulhei de cabeça e me quebrei tantas vezes que estou aqui aos cacos.

Desisti de juntar, não tem cola mais que resolva. Tantos amores, tanto desperdício de tempo. E o que sobrou foram só as cicatrizes.

Amargura, rancor e inveja de quem tem o que nunca tive.

Quem sou eu além de mais uma puta entre tantas?

Não sirvo pra casar, nem pra apresentar pra mãe, e se apresentar ela vai virar a cara, não sirvo pra nora tambem. Eu sou aquela que serve pra você quando as outras estão ocupadas.

Não, eu não estou magoada, eu entendo. Entendo que elas são mais gentis, mais sutis, educadas e limpas.

Eu sou uma mistura de marcas e manchas. Não dá pra competir.

Eu vou ficar aqui. Quieta, muda, fingindo estar feliz.

As coisas acontecem simplesmente acontecem, não é culpa de ninguém. Talvez minha.

Say my name…

Eu ODEIO MEU NOME. E isso é um problema pra mim. Porquê todo mundo insiste em saber meu nome. Eu acho completamente desnecessário saber como eu me chamo na vida real, mas não, as pessoas da internet ainda insistem em saber como mamãe me batizou, dito isso contarei como eu descobri que meu nome tão odiado não é o meu nome.

Eu já nasci com apelido. Na minha família eu sou a Nega. Ou neguinha como minhas tias e tios me chamam ainda hoje, e meus irmãos e mãe me chama de nega. Em casa ninguém me chama pelo meu nome, nunca.

Na escola o tormento, todo mundo sem exceção errava meu nome, que já é horroroso sem erro. Cresci e veio a internet. Glória a Deus nas alturas eu não tinha que usar meu nome, a vamos de Fake. Passei toda época do Orkut sendo Michelle. Tem gente das antigas que me chama assim até hoje. Era um fake da mocinha de velozes e furiosos.

Então veio o Twitter, 2009 e fiz com meu nome real. Nas primeiras interações o Cid do Não Salvo zuou meu nome. E eu nunca senti tanta vergonha na vida e desisti dele pra sempre.

Durante anos fui Misantropia, eu amo esse nome. Combina demais comigo e tirei de uma música do Matanza. Quando o perfil do twitter caiu e tive que arrumar outra @ A Bajoriana por motivos que amo o planeta Bajor e DS9.

Nos meus jogos me chamam de Nyméria. Meus amigos mais íntimos me chamam de Ny. Todo mundo sabe que é proibido perguntar meu nome então eu sou só Ny. Acho fofo.

Melhor grupo

Mas voltando lá nos meus 30 anos quando eu descobri que meu nome podia sim piorar.

Eu precisei de uma segunda via da minha certidão de nascimento. Eu fui registrada numa cidade chamada São domingos do Norte, fica entre o fim do mundo e onde judas perdeu as botas. Ali na esquina da puta que pariu. Chego eu na cidade e vou até o cartório, um moço bem velhinho me atende e explico que precisava da segunda via da certidão, mostro minha identidade e cinco minutos depois o moço me trás uma certidão nova e… MINHAS PERNAS TREMEM… O moço tinha escrito meu nome errado na certidão nova.

Eu: Moço esse aí não é meu nome. Tá errado.

O moço: Não tá errado não, olha aqui.

O moço abre um livro enorme, empoeirado e lá na página MEU NOME RASURADO. tinha um N com um M riscado por cima.

Eu: Moço quem foi o bêbado que rasurou meu nome? O moço: Me desculpa senhora, mas não tem bêbado aqui fui eu mesmo que registrei a senhora quando nasceu.

Me desculpa moço eu tava nervosa. Respira. Tudo bem senhor, olha minha identidade. Tá diferente da certidão que o senhor me deu, pode por favor fazer uma segunda via com o nome igual? Eu já tenho 30 anos eu já odeio esse nome não quero trocar de nome agora.

O moço rasgou a certidão, foi lá e digitou uma nova com o nome antigo. Mas lá em São domingos do Norte tem um livro onde tenho outro nome. E eu odeio saber disso.

Então é isso. Nunca perguntem meu nome e por acaso se alguém aí souber guarde pra vocês. Eu me chamo Nyméria, Ou Bajoriana. Como quiserem chamar.

Eu gosto que me subestime.

No início da Pandemia eu ainda tinha Instagram. Na real era 31 de dezembro de 2019 eu tava lá de bobeira e alguém me seguiu, segui de volta e logo o rapaz me chamou no direct. Não era lindo, mas também não era feio. Tinha umas 04 ou 05 fotos só. Instagram novo. Dei papo. O papo fluiu maravilhosamente bem.

Parecia que tinha sido feito para mim, tudo que eu gostava ele gostava mesmas músicas, séries, jogos. Deveria ter acendido meu alerta, mas ainda não.

Daí para o sexting foi um pulo. E rolou, uma duas, várias vezes e sumiu… Fiquei bem triste.

Uns dois meses depois reaparece diz que foi assaltado, ficou sem celular e que tinha uma ex maluca tentando roubar o Instagram dele, coisa que tal ex já tinha feito antes e por isso ele tinha um Instagram novo. Ok, plausível. Ainda não desconfiei.

Me envolvi de novo, sexo virtual vai e vem, Fotos dos meus peitos rolando pra lá e pra cá. Nada de foto dele. Nada de áudio, nada de me pedir outro meio de contato além do Instagram. Aí soou meu alerta de algo errado. TODO HOMEM PEDE O ZAP, é mais forte q eles. Se não pede ai tem.

Eu pedi um número de contato e pedi q fizesse um Telegram. Me enrolou dias, mas eu queria ouvir a voz dele. Uns 15 dias eu insistindo me veio com um número de telefone e disse que tinha feito um telegram. Aí fiquei mais tranquila. Porém, zero foto. COMO ASSIM NÃO VAI ME MANDAR FOTO DO PINTO? Tá estranho.

Madrugada eu sem sono e nada pra fazer, resolvi xeretar o Instagram do Mozão novo. Primeira coisa que vi e acendeu um alerta vermelho: 15 amigas em comum com um ex meu que eu não tinha mais contato a anos. Eu tava sem sono né? Peguei meu notebook, uma xícara de café e meu maço de cigarros e comecei o serviço de CSI.

Abri o Facebook do dito ex e o Instagram do novo Mozão: Todas as moças que o moço seguia, sem exceção eram amigas do meu ex no Facebook.

Pensei: Ok ou é parente ou é a mesma pessoa. Voto na mesma pessoa.

Mas não gosto de ter dúvida então vamos continuar a investigação. Abri o Twitter do ex. E foi ótimo. Porquê todas as vezes que o Mozão novo dizia que tava jogando um jogo específico tinha compartilhado no twitter do ex capturas de Tela do mesmo jogo. Uma excelente prova.

Mas eu queria a prova definitiva e continuei fingindo demência com o Mozão no telegram. Eu já tava até me divertindo, mas eu queria a humilhação do infeliz.

Antigamente eu trabalhava num call center, acho que já contei isso no twitter, enfim peguei o número do celular que o Mozão tinha me dado e entrei em contato com uma pessoa das antigas e falei. Quero tudo desse número. Quero prints de todas as informações atrelada a esse número.

24 horas depois tava na minha mão: Nome, endereço, CPF DO MEU EX. Número cadastrado no próprio nome. Foi mais fácil que tirar doce da boca de criança e agora eu estava pronta pra vingança.

Chamei o moço e falei: Eu quero saber quanto tempo você vai ficar aí fingindo que é alguém mais bonito e mais interessante que você é de verdade.

E continuei: Eu até estava me divertindo te usando pra me fazer rir, mas como sempre acontece eu enjoei de você. De novo.

Ele: Eu não sei do que você está falando.

Chamei pelo nome real e falei: Eu sei que você não me esqueceu mesmo depois de dez anos que te dei um pé na bunda e precisou de um fake pra vir Aqui ver meus peitos de novo mas isso só te provou que eu mostro meus peitos e transo com qualquer desconhecido na internet menos com você.

Agora eu quero que você suma. Porquê eu tenho todas as provas documentadas que você não é quem diz ser. E se um dia eu te ver em qualquer rede social minha ou tentando contato com alguém próximo a mim te denuncio por estupro virtual mediante fraude.

(Obrigada MP pelo precedente)

E desde então eu nunca mais vi nada referente a esse ser repugnante.